O Brasil gerou 921,64 mil empregos formais nos primeiros seis meses de 2026, queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram criadas 1,23 milhão de vagas, registrando o pior resultado semestral desde 2020.
O recuo ocorre em um cenário de juros básicos elevados; a taxa Selic está em 14,25% ao ano, a mais alta do mundo em termos reais, segundo ranking da MoneYou com 40 nações. O Banco Central mantém a taxa alta para conter a inflação e acompanha o mercado de trabalho “detidamente”, conforme constou na ata do Copom, que destacou que “a taxa de desemprego tem, recorrentemente, se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu a desaceleração também ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos e aos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, fatores que, segundo ele, pressionam ainda mais a geração de postos formais.
Em junho de 2026 foram criados 145,16 mil empregos formais, 10,4% menos que em junho de 2025, quando foram registradas cerca de 162 mil vagas, configurando o pior resultado para o mês desde 2020. O salário médio de admissão subiu para R$ 2.404,34, superando os R$ 2.387,44 de maio e os R$ 2.376,95 de junho do ano passado.
Para empresários, o alto custo de crédito reduz a capacidade de expansão e de contratação, enquanto trabalhadores formais enfrentam menos oportunidades de ingresso, embora os salários de entrada apresentem alta real. O índice de desemprego, segundo o IBGE, foi de 5,6% no trimestre encerrado em maio, a menor taxa histórica para esse período.
