sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emSão Paulo, Tecnologia

Estudo da USP descobre nova forma de sincronização em redes complexas

Estudo da USP descobre nova forma de sincronização em redes complexas
Estudo da USP descobre nova forma de sincronização em redes complexas
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Pesquisadores da USP, em colaboração internacional, demonstraram experimentalmente um novo comportamento coletivo em hiper-redes: a sincronização não surge entre pares de elementos, mas apenas quando três componentes interagem simultaneamente. O estudo, publicado na Nature Communications, desafia um paradigma científico vigente há mais de 400 anos.

O fenômeno da sincronização — quando sistemas com ritmos semelhantes tendem a se ajustar até se moverem em uníssono — foi descrito pela primeira vez pelo físico Christiaan Huygens no século XVII. Desde então, acreditava-se que a sincronização emergia de interações entre pares. No entanto, a nova pesquisa mostra que, em certos sistemas, a sincronização só ocorre a partir de interações triplas.

“Algumas interações dependem simultaneamente de três ou mais componentes, e não podem ser reduzidas à soma de interações par a par”, explica Tiago Pereira, professor do ICMC-USP e coautor do estudo. “A relação entre chuvas na Índia e o El Niño, por exemplo, também depende da atividade vulcânica como terceiro mediador.”

Para confirmar a descoberta, a equipe realizou experimentos com osciladores eletroquímicos — pequenos eletrodos de níquel em solução ácida. Introduzindo perturbações que impediam a sincronização entre pares, os pesquisadores observaram que o sistema desenvolvia espontaneamente sincronização apenas entre grupos de três elementos.

“O experimento mostrou que o comportamento coletivo não estava escondido em conexões tradicionais entre pares, mas era produzido exclusivamente pela interação simultânea de três componentes”, destaca Pereira. O resultado abre novas perspectivas para áreas como neurociência, climatologia e sistemas tecnológicos.

Na neurociência, o modelo pode ajudar a entender como diferentes regiões do cérebro coordenam suas funções, especialmente em fenômenos como crises epilépticas. Na climatologia, oferece uma nova forma de representar interações simultâneas entre variáveis como temperatura, pressão e umidade em eventos extremos. O estudo contou com financiamento da Fapesp, CNPq e Instituto Serrapilheira, e os dados estão disponíveis publicamente.

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