Paulo Sérgio Siqueira do Prado, ex-auditor fiscal da Receita Estadual de São Paulo, conhecido como “PP”, assinou acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MP‑SP) no processo que investiga um esquema bilionário de propinas na Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz‑SP).
Segundo o MP, PP está diretamente ligado aos auditores Artur Gomes da Silva Neto – apelidado de “rei Artur” – e Alberto Toshio Murakami – conhecido como “americano”, ambos investigados por fraudar créditos de ICMS em benefício das empresas Ultrafarma e Fastshop. Artur está preso; Murakami é foragido.
A apuração indica que o grupo atuava em áreas estratégicas da pasta, acelerando a antecipação de créditos tributários supostamente inflados e recebendo pagamentos milionários de grandes empresas dos setores varejista e atacadista.
Com a homologação do acordo de colaboração premiada, a Justiça deve determinar o desbloqueio e o levantamento do sequestro de bens e das demais restrições patrimoniais impostas a PP no início das investigações. Os promotores esperam que ele auxilie na identificação da participação de cerca de 40 servidores da Sefaz‑SP nas três operações do MP‑SP.
PP aposentou‑se em 2024, após ocupar cargos de destaque na Receita Estadual, incluindo a nomeação como inspetor fiscal na Delegacia Regional Tributária da Capital, em agosto de 2014, e a chefia interina da mesma delegação durante afastamentos de Marcelo Bergamasco Silva, atual subsecretário da Receita.
O Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público realizou ao menos três operações – Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo – que culminaram na demissão de cinco auditores em abril de 2026, por determinação do secretário da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita. Artur teria recebido R$ 383,6 milhões em propinas e pode ter movimentado mais de R$ 1 bilhão; ele é foragido desde agosto de 2025 e foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol em janeiro de 2026.
O caso evidencia uma rede de corrupção de amplo alcance dentro da Sefaz‑SP, e a colaboração de PP deve ampliar o alcance das investigações em curso.
