LUTÉCIA
sábado, 22 de agosto de 2026
LUTÉCIA
Postado emLutécia, Vida e Saúde

Luto por pet é legítimo e pode causar depressão, alerta psicóloga

Luto por pet é legítimo e pode causar depressão, alerta psicóloga
Luto por pet é legítimo e pode causar depressão, alerta psicóloga
Publicidade

A morte de um animal de estimação pode provocar uma dor tão intensa quanto a perda de um familiar. Apesar de, por muito tempo, esse sofrimento ter sido minimizado, especialistas afirmam que o luto por um pet é legítimo e merece ser acolhido.

À reportagem, a psicóloga Kelly Almeida, especialista em atendimento clínico psicanalítico, aponta que a relação entre humanos e animais de estimação mudou e, por isso, a ausência do pet provoca mudanças profundas na rotina e no estado emocional. “Hoje o pet também faz parte da família. É um vínculo afetivo que não é definido por laços de sangue, mas pela qualidade da relação construída. Quando ele morre, surgem a dor, a saudade e a sensação de vazio”, explica.

De acordo com a psicóloga, o luto pode despertar sentimentos como tristeza, culpa, conflitos internos e até dificuldade para retomar as atividades do dia a dia. Em alguns casos, a perda pode contribuir para quadros depressivos. “Durante muito tempo essa dor não era validada. As pessoas ouviam que era ‘só um pet’. Hoje entendemos que essa perda é significativa e merece ser reconhecida.”

Kelly explica que o processo de luto, muitas vezes, começa antes mesmo da morte do animal, quando o pet recebe um diagnóstico grave. “O luto já começa muito antes. A pessoa vive com o medo de perder o animal a qualquer momento, mas também alimenta a esperança de que ele melhore”, afirma. Foi o caso da cachorrinha Bianca, uma pinscher de 17 anos, que acompanhou Erberson Ohama por boa parte da vida. Ela foi diagnosticada com um tumor na bexiga em 14 de junho e morreu em 1º de julho.

Após a morte, o tutor optou por cremar a cadela e realizar uma cerimônia de despedida. Para ele, o ritual foi uma forma de homenagear quem fez parte da família durante tantos anos. A psicóloga destaca que cerimônias de despedida, cremação ou velórios para animais podem ser importantes para ajudar no processo de aceitação da perda. “Cada pessoa vai viver esse momento de uma forma, mas é importante fazer um ritual de despedida, de encerramento daquele ciclo. Esses rituais ajudam a simbolizar a perda, oferecer espaço para expressar a dor e iniciar a elaboração do luto”, afirma.

Ela orienta ainda que manter todos os objetos do animal expostos por tempo indeterminado pode dificultar esse processo. “Não é saudável ficar revivendo constantemente a ausência por meio da caminha, do comedouro ou da coleira. Mas isso também depende do tempo de cada pessoa. Não existe uma regra.”

Em Sorocaba (SP), uma funerária especializada em animais oferece, desde abril de 2022, serviços de velório, sepultamento e cremação de pets. Segundo Gleice Leitão, CEO do Sagrado Pet, a procura pelos atendimentos aumentou ao longo dos últimos quatro anos. “A cada ano que passa, a gente percebe. Mesmo porque, nós tivemos uma demanda maior, tanto de adoção, como de compra de pets durante a pandemia. Os óbitos acabam aumentando, e o mercado funerário está no final dessa linha. Em 2026, a gente tem sentido um aumento grande de movimento.”

Para quem busca apoio, a psicóloga recomenda conversar com o animal durante o tratamento, permitir-se viver a despedida e, quando se sentir preparado, considerar a chegada de um novo pet, entendendo que ele não substitui o anterior. “Esse vínculo é construído ao longo de anos. O amor, o afeto e o cuidado permanecem como parte dessa história, e reconhecer isso também faz parte do processo de reorganização emocional após a perda”, conclui.

📬 Receba as notícias de MT no seu e-mail

Cadastre-se gratuitamente e receba os destaques da semana


    Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn
    📬
    Fique por dentro de São Paulo Receba as principais notícias no seu e-mail, gratuitamente.


      ← Anterior CDHU Móvel atende mutuários em três cidades da região de Marília Próxima → Ex-auditor fiscal firma acordo de delação premiada em esquema bilionário na Sefaz-SP