A procura por cuidadores de animais domésticos, conhecidos como pet sitters, cresce no estado de São Paulo, impulsionada pela relação cada vez mais próxima entre tutores e seus pets. A atividade, que pode ser formalizada como Microempreendedor Individual (MEI), ainda não é regulamentada no Brasil, mas já representa uma oportunidade de renda para muitos profissionais.
Diferente da ajuda informal de parentes ou vizinhos, o pet sitter oferece um serviço especializado, que inclui alimentação, higiene, administração de medicamentos, brincadeiras e monitoramento da saúde e do comportamento do animal. O atendimento é feito no domicílio do tutor, o que ajuda a preservar a rotina do pet e reduz o estresse durante viagens ou ausências prolongadas.
A atividade, que surgiu nos Estados Unidos, ganhou força no Brasil após a pandemia de covid-19, quando muitas pessoas adotaram animais. Com a volta ao trabalho presencial, a demanda por profissionais de confiança aumentou, especialmente em São Paulo, que tem alta concentração de pets e tutores com rotina intensa.
Um exemplo é Gabriela Dorneles, de 47 anos, que atua como cat sitter na zona leste da capital. Ela conta que se reinventou após ser diagnosticada com fibromialgia, que a impediu de continuar como secretária executiva. Hoje, ela atende cerca de 70 clientes e chega a fazer nove visitas por dia em períodos de alta demanda, como Natal e Réveillon.
“Ser cat sitter não é apenas trabalhar com gatos. É preciso saber como lidar com tutores, porque eles confiam em nós a vida dos seus animais e abrem as portas da própria casa, que é um lugar íntimo e sagrado”, afirma Gabriela, que investe em cursos de comportamento felino e geriatria para oferecer um atendimento de qualidade.
Para formalizar o negócio, o profissional pode se registrar como MEI, o que garante CNPJ, emissão de notas fiscais e acesso a benefícios previdenciários. O Sebrae orienta que a formalização traz credibilidade e possibilidade de crescimento. O valor do serviço na capital paulista gira em torno de R$ 100 por hora de visita, variando conforme o número de pets e a necessidade de cuidados especiais.
Os principais desafios da profissão incluem a divulgação nas redes sociais, a organização da agenda e o trânsito. Gabriela ressalta a importância do olhar atento do profissional: “Durante uma visita, percebi que uma gatinha não estava se comportando como de costume. Levei-a ao veterinário e foi descoberto um câncer. O diagnóstico precoce salvou a vida dela”, relata.