A Cátedra Josué de Castro, da Universidade de São Paulo (USP), completa cinco anos em 2026, coincidindo com os 80 anos do livro ‘Geografia da Fome’, obra fundamental do homenageado. A iniciativa busca conectar a herança teórica do autor às políticas públicas atuais, com foco nos sistemas agroalimentares.
Patricia Jaime, professora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública e coordenadora científica da Cátedra, explica que o espaço foi criado a partir da aproximação de pesquisadores com a reflexão sobre alimentação em seu contexto social. O nome de Josué de Castro foi escolhido naturalmente, pois sua obra ajudou a fundamentar um olhar sistêmico sobre a fome e influenciou a compreensão do direito à alimentação no Brasil.
O diferencial da Cátedra, segundo a docente, é analisar os sistemas agroalimentares partindo do princípio de que o consumidor é, antes de tudo, um sujeito de direito à alimentação adequada e saudável. Essa abordagem integra o pensamento histórico de Josué de Castro ao repertório contemporâneo, mesmo que o conceito de sistemas agroalimentares não existisse na época em que o autor publicou seus trabalhos.
Para Patrícia, a obra de Josué mostra que os problemas nutricionais ocorrem na interação do homem com o ambiente e são produtos da ação humana, onde alguns indivíduos com poder conseguem definir o estado e a condição de saúde de outros. Essa visão contextualiza os problemas nutricionais ao incorporar fatores como renda, ambiente e poder, relacionando saúde, nutrição e alimentação.
Pensando no futuro, a pesquisadora projeta que a abordagem baseada nos sistemas agroalimentares ganhe mais centralidade na produção de conhecimento e nas políticas públicas. Como parte desse esforço, a Cátedra lança em agosto o livro ‘Da fome à transição para sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis’, organizado por Patrícia Jaime, Arilson Favareto e Nadine Marques.
