A corrida global pela inteligência artificial (IA) intensificou a disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, transformando os grandes modelos de linguagem em ativos estratégicos. Empresas americanas como OpenAI, Google, Anthropic, Microsoft e Meta ainda lideram o mercado, mas enfrentam concorrentes chinesas que investem em modelos mais baratos e, em muitos casos, de código aberto.
Enquanto os EUA focam na expansão de data centers, na exportação de tecnologia e em restrições ao acesso chinês a chips avançados, a China amplia subsídios, incentiva o desenvolvimento da IA e reforça o controle sobre algoritmos, dados e conteúdos.
Apesar do crescimento acelerado do setor, os mercados financeiros mostram sinais de preocupação. A desaceleração das ações de grandes empresas de tecnologia e a cobrança dos investidores por retorno sobre os altos investimentos em infraestrutura levantam dúvidas sobre uma possível bolha especulativa. No entanto, diferente da bolha das empresas “.com”, o cenário atual conta com receitas, lucros e demanda reais.
Mesmo assim, persistem riscos como a concentração de mercado, o elevado endividamento e a incerteza sobre a capacidade dos consumidores de financiarem, no longo prazo, os altos custos da infraestrutura necessária para sustentar a IA. A conclusão é que há sinais de superaquecimento, mas não evidências de que a bolha já tenha estourado.
A coluna Iconomia, com o professor Gilson Schwartz, vai ao ar quinzenalmente, às segundas-feiras, às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.