sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emSão Paulo, Vida e Saúde

Estudo liga alteração precoce em conexões cerebrais ao risco de esquizofrenia

Estudo liga alteração precoce em conexões cerebrais ao risco de esquizofrenia
Estudo liga alteração precoce em conexões cerebrais ao risco de esquizofrenia
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Pesquisadores brasileiros descobriram que a inibição da enzima fosfoglicerato desidrogenase (PHGDH) durante o desenvolvimento cerebral pode aumentar a vulnerabilidade à esquizofrenia. O estudo, publicado na revista Glial Health Research, mostrou que essa alteração afeta a interação entre neurônios e astrócitos, comprometendo a formação de conexões neurais.

Utilizando modelos 3D de células humanas, os cientistas observaram que o bloqueio da PHGDH reduz os níveis de D-serina, um neurotransmissor essencial para a comunicação entre essas células. Isso resultou em maior morte neuronal e menor capacidade de expansão e conexão das neuroesferas, simulando o cérebro em formação.

“Estudos anteriores já haviam mostrado que a PHGDH apresentava alterações em pacientes com esquizofrenia. Isso levantou a hipótese de que ela poderia desempenhar um papel importante no desenvolvimento do cérebro e, consequentemente, na doença”, afirma Flávio Protásio Veras, pesquisador da FMRP-USP e professor da Universidade Federal de Alfenas.

Os resultados indicam que os astrócitos possuem rotas metabólicas alternativas que os protegem, enquanto os neurônios dependem do suporte fornecido por essas células. A falha nesse suporte compromete a maturação neuronal e a função do receptor NMDA, diretamente associado à esquizofrenia.

“Foi a partir desse conjunto de evidências que concluímos que alterações na PHGDH podem aumentar a vulnerabilidade a problemas do neurodesenvolvimento, oferecendo uma nova perspectiva para compreender mecanismos relacionados à doença”, destaca Veras.

A pesquisa, que envolveu instituições como USP, Unicamp, CNPEM e IDOR, abre caminho para futuras abordagens terapêuticas que considerem o metabolismo cerebral como alvo central. Os cientistas alertam que mudanças sutis no metabolismo da D-serina nas fases iniciais podem desencadear efeitos prejudiciais à formação de circuitos neurais estáveis.

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