sábado, 22 de agosto de 2026
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Pesquisador da USP recebe prêmio internacional de estudos do humor com seu nome

Pesquisador da USP recebe prêmio internacional de estudos do humor com seu nome
Pesquisador da USP recebe prêmio internacional de estudos do humor com seu nome
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O historiador Elias Thomé Saliba, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, foi homenageado com a criação do prêmio internacional Elias Thome Saliba Award, concedido pela International Society for Humor Studies (ISHS) durante sua 36ª conferência, realizada em julho em Niterói (RJ). A honraria reconhece as melhores produções científicas e teses na área dos estudos do humor.

“Aceitei com muita gratidão a nomeação do prêmio, uma conquista e uma retribuição por tantos anos de trabalho à FFLCH e à USP”, afirma Saliba. “Mas, cá entre nós, também fiquei imaginando se não era mais uma piada: afinal, a nomeação de um prêmio costuma ser, quase sempre, póstuma!”, brinca o docente, que pesquisa o tema há décadas no Departamento de História.

O Elias Thome Saliba Award 2026 premiou a tese de doutorado “O país do absurdo: a teledramaturgia de Dias Gomes como forma de ler o Brasil em O Bem-Amado (1973)”, de Iza Debohra Godoi Sepúlveda, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A pesquisa analisa como elementos de comicidade, farsa, paródia e alegoria foram usados pela teledramaturgia para criticar a realidade brasileira durante a ditadura. A autora faleceu duas semanas antes da cerimônia, aos 33 anos, e a honraria foi recebida por professores da UFMT em seu nome.

O prêmio também concedeu Menção Honrosa à tese “O humor no teatro de Jô Soares”, de Giovani Tozi, da Unicamp, que investiga a presença do humor na produção teatral do artista e sua relação com aspectos culturais e sociais do Brasil.

Saliba, que está na USP há 36 anos, começou a estudar o humor ainda na década de 1970, ao pesquisar a história da cultura política na Primeira República. “No exame das fontes já percebíamos a faceta cômica, nascida do contraste entre o discurso liberal e as práticas autoritárias”, explica. Para ele, o humor é um documento histórico indireto que capta “disposições afetivas, modos de convivência e as zonas cinzentas do cotidiano”.

Desde 2013, o professor coordena o Grupo de Pesquisa Humor e História, na FFLCH, com apoio do CNPq, que investiga diferentes formas de expressão do humor e sua transformação ao longo do tempo. O grupo prepara um seminário temático intitulado “Se correr o bicho pega, se ficar…: dimensões de um encontro entre animais, humor e história”.

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