O historiador Elias Thomé Saliba, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, foi homenageado com a criação do prêmio internacional Elias Thome Saliba Award, concedido pela International Society for Humor Studies (ISHS) durante sua 36ª conferência, realizada em julho em Niterói (RJ). A honraria reconhece as melhores produções científicas e teses na área dos estudos do humor.
“Aceitei com muita gratidão a nomeação do prêmio, uma conquista e uma retribuição por tantos anos de trabalho à FFLCH e à USP”, afirma Saliba. “Mas, cá entre nós, também fiquei imaginando se não era mais uma piada: afinal, a nomeação de um prêmio costuma ser, quase sempre, póstuma!”, brinca o docente, que pesquisa o tema há décadas no Departamento de História.
O Elias Thome Saliba Award 2026 premiou a tese de doutorado “O país do absurdo: a teledramaturgia de Dias Gomes como forma de ler o Brasil em O Bem-Amado (1973)”, de Iza Debohra Godoi Sepúlveda, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A pesquisa analisa como elementos de comicidade, farsa, paródia e alegoria foram usados pela teledramaturgia para criticar a realidade brasileira durante a ditadura. A autora faleceu duas semanas antes da cerimônia, aos 33 anos, e a honraria foi recebida por professores da UFMT em seu nome.
O prêmio também concedeu Menção Honrosa à tese “O humor no teatro de Jô Soares”, de Giovani Tozi, da Unicamp, que investiga a presença do humor na produção teatral do artista e sua relação com aspectos culturais e sociais do Brasil.
Saliba, que está na USP há 36 anos, começou a estudar o humor ainda na década de 1970, ao pesquisar a história da cultura política na Primeira República. “No exame das fontes já percebíamos a faceta cômica, nascida do contraste entre o discurso liberal e as práticas autoritárias”, explica. Para ele, o humor é um documento histórico indireto que capta “disposições afetivas, modos de convivência e as zonas cinzentas do cotidiano”.
Desde 2013, o professor coordena o Grupo de Pesquisa Humor e História, na FFLCH, com apoio do CNPq, que investiga diferentes formas de expressão do humor e sua transformação ao longo do tempo. O grupo prepara um seminário temático intitulado “Se correr o bicho pega, se ficar…: dimensões de um encontro entre animais, humor e história”.