Em meio à enxurrada de informações sem comprovação científica nas redes sociais, um projeto da Universidade de São Paulo (USP) leva a pais e cuidadores orientações baseadas em evidências sobre o desenvolvimento infantil típico e atípico. A iniciativa combina encontros presenciais no Centro Especializado em Reabilitação (CER) do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto com produção de conteúdo digital, alcançando milhares de pessoas no Brasil e no exterior.
Criado em 2024, o projeto Estimular: Orientação de Cuidadores Acerca do Desenvolvimento Infantil Típico e Atípico é coordenado pela professora Amanda Mota Pacciulio Sposito, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), e desenvolvido por estudantes de Terapia Ocupacional. A proposta surgiu da necessidade de esclarecer dúvidas frequentes das famílias atendidas no CER. “Muitos pais e mães acessam diariamente informações não qualificadas na internet. Então pensamos em algo que esclarecesse essas dúvidas”, explica Amanda.
Os encontros presenciais são realizados em formato de rodas de conversa, com atividades em grupo e orientações sobre temas como introdução alimentar, desenvolvimento motor, importância do brincar, interação entre pais e filhos e cuidados específicos, como manuseio e higienização de sonda nasogástrica. Além disso, o perfil @estimular.usp no Instagram publica conteúdo informativo, ampliando o acesso a orientações de qualidade para quem não frequenta o serviço. Segundo a professora, as publicações já alcançaram quase 25 mil visualizações em países como Estados Unidos, Canadá, Portugal, Austrália, Índia e Irã.
A iniciativa também contribui para a formação das estudantes de Terapia Ocupacional, que desenvolvem habilidades técnicas e humanas no contato com as famílias. “As alunas relatam que o projeto tem sido uma experiência muito valiosa, porque conseguem criar vínculo e ajudar essas mães”, destaca Amanda. O aprendizado vai além do acadêmico: “Elas precisam estar atentas às demandas emocionais e a todo o contexto envolvido no cuidado de uma criança atípica. Isso enriquece muito a formação.”
Os benefícios se refletem na rotina das famílias. Uma participante, que estava insegura sobre uma cirurgia indicada para o filho, encontrou apoio no grupo. “Ela compartilhou essa preocupação durante um dos encontros. Conversamos sobre o assunto e o próprio grupo ajudou a esclarecer suas dúvidas. Depois ela nos disse que se sentiu mais segura para enfrentar aquele momento”, conta a docente. O projeto também incentiva o autocuidado: algumas mães passaram a reservar momentos de lazer para si, o que contribui para o bem-estar emocional.
Os encontros são destinados aos cuidadores de crianças atendidas no CER do Hospital das Clínicas da FMRP. Para os próximos anos, a expectativa é ampliar a participação de estudantes nas atividades presenciais e expandir ainda mais o alcance das ações educativas nas redes sociais.
