As alianças partidárias são decisivas para a distribuição de tempo de propaganda eleitoral gratuita e recursos financeiros na disputa presidencial de 2026. Enquanto o presidente Lula (PT) conta com uma ampla coligação para ampliar sua exposição, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) deve enfrentar a eleição com uma chapa puro-sangue, o que reduz seu tempo de rádio e TV, apesar de ter uma das maiores bancadas na Câmara.
Lula será beneficiado pela federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e por uma coligação com PSB, PDT e a federação PSOL-Rede, que ainda precisa ser formalizada. Segundo o advogado Flávio Pires Vieira, especialista em Direito Eleitoral, a união permite somar a representação parlamentar dos maiores partidos para o cálculo do horário eleitoral, além de ampliar a capilaridade nacional e os palanques estaduais.
“Se formalizada essa coligação, Lula ganha a soma da representação parlamentar dos maiores integrantes para o cálculo do horário eleitoral, além de maior capilaridade nacional, palanques estaduais e demonstração política de unidade”, afirmou Vieira.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro não conseguiu o apoio nacional de Podemos, Republicanos e da federação PP-União Brasil, formando chapa apenas com o PL e o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). A advogada Gabriela Rollemberg explica que, sem alianças, o tempo de propaganda dele será equivalente apenas ao do próprio partido. “Quanto mais partidos, mais tempo”, resumiu.
Apesar do isolamento, Flávio terá um dos maiores tempos de TV porque o cálculo do TSE considera a bancada federal eleita em 2022, e o PL é a segunda maior da Câmara, com 98 deputados. Entre os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não terão direito à propaganda gratuita por não cumprirem a cláusula de desempenho, prevista na Emenda Constitucional nº 97/2017.
O tempo de propaganda não pertence aos candidatos, mas aos partidos, federações ou coligações. “Dez por cento do tempo são divididos igualmente. Os outros 90% seguem a força de cada agremiação na Câmara dos Deputados”, explicou Vieira. Em coligações, é possível somar as bancadas dos seis maiores integrantes, o que pode aumentar a exposição, mas há limites.
Além do tempo de TV, as alianças permitem a combinação de recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário. Cada partido pode doar parte de seus fundos para aliados, respeitando os limites de gastos e as cotas de candidaturas de mulheres, negros e indígenas. Em 2026, o PL recebeu a maior fatia do Fundo Eleitoral, com R$ 881,6 milhões, seguido pelo PT (R$ 615,4 milhões) e União Brasil (R$ 526,2 milhões), que juntos concentram cerca de 40% do total.
