O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que os Estados Unidos agiram de forma ‘bizarra’ ao anunciar a indicação de Daniel Perez para a embaixada no Brasil antes da concessão do agrément, autorização formal necessária para a aceitação de um embaixador.
A declaração foi feita durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Amorim destacou que Washington descumpriu procedimentos diplomáticos ao divulgar a indicação antes de obter a concordância do governo brasileiro.
Amorim também questionou o timing da indicação, sugerindo que a decisão teve motivação política. ‘Os Estados Unidos ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui… De repente, na proximidade das eleições, às pressas, sem nosso consentimento, quis acreditar um outro embaixador’, disse.
Ele citou o episódio como um dos fatores que aumentaram as tensões diplomáticas entre Brasil e EUA nos últimos meses. A indicação de Perez, que preside a Câmara dos Representantes da Flórida, ainda precisa da aprovação do Senado americano e do agrément do governo brasileiro.
Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em resposta à demora do Brasil em conceder o agrément. O posto de embaixador dos EUA em Brasília está vago desde janeiro de 2025.
