Tamara Klink, autora do best-seller “Bom dia, inverno”, surpreendeu ao pedir que leitores não comprem seu livro. A recomendação surge após o sucesso da obra, que relata suas experiências no Ártico, e visa promover a circulação de exemplares já existentes, refletindo uma preocupação ambiental diante da emergência climática.
Apesar de seu pedido, Klink não desmerece a obra, mas sugere que novos leitores compartilhem os livros em vez de adquirir novos exemplares. Essa abordagem, intencional ou não, pode ser vista como uma estratégia de marketing digital, semelhante ao conceito apresentado por George Lakoff em seu livro “Não pense num elefante”, que discute a eficácia de ordens negativas.
O linguista Lakoff argumenta que a negação pode ativar a moldura cognitiva que se pretende evitar, o que pode ser observado no caso de Klink. Ao pedir que não comprem seu livro, ela pode, paradoxalmente, aumentar o interesse pela obra, mantendo-a em evidência no imaginário público.
Estudiosos como Mikhail Bakhtin também contribuem para a compreensão desse fenômeno, destacando a polifonia nos discursos e como as construções negativas podem ser interpretadas. Assim, a proposta de Klink, mesmo que não tenha sido planejada como uma jogada de marketing, pode resultar em um aumento nas vendas de “Bom dia, inverno”.
