A transição energética no Brasil enfrenta desafios significativos, com um foco crescente em investimentos e oportunidades de negócios, em vez de uma discussão sobre política e soberania energética. Em eventos do setor, o que se observa são estandes e rodadas de investimento, desviando a atenção das questões fundamentais da transição.
O Brasil é reconhecido mundialmente pela expansão das energias renováveis, com uma matriz elétrica considerada uma das mais limpas do mundo. No entanto, essa realidade é marcada por contradições, como a produção excessiva de eletricidade que não se traduz em acesso universal e tarifas acessíveis. Atualmente, mais de 82 milhões de brasileiros enfrentam dificuldades financeiras relacionadas a contas de energia, água e gás.
A corrida para atrair data centers, que consomem grandes quantidades de eletricidade e água, levanta questões sobre as prioridades do planejamento energético nacional. A água, um recurso finito e essencial, é cada vez mais escassa, enquanto a energia se torna cada vez mais inacessível para uma parte significativa da população.
Pesquisas na Universidade de São Paulo buscam abordar essa lacuna, promovendo um planejamento energético participativo que envolva comunidades afetadas pelas transformações energéticas. O projeto recente, em colaboração com instituições internacionais, visa democratizar a construção de cenários energéticos, enfatizando a importância de uma transição que reduza desigualdades e amplie direitos.
Uma transição energética efetiva não deve ser medida apenas por novos investimentos ou pela capacidade instalada, mas pela sua capacidade de beneficiar a sociedade como um todo, evitando a confusão entre transição e transação.
