A plataforma Discord enviou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) esclarecimentos sobre a suspensão das transmissões ao vivo no Brasil, determinada pela agência na última quarta-feira (12).
No documento, a empresa afirma que busca garantir um ‘ambiente digital seguro e saudável’, rechaçando práticas de violência e automutilação. O Discord também alegou que a criptografia dificultou o bloqueio de conteúdos e que o ‘ato final de suicídio não ocorreu na plataforma’, referindo-se ao caso de uma adolescente de 13 anos.
A ANPD havia dado um prazo de três dias úteis para que o Discord cumprisse a suspensão, que se aplica apenas às transmissões ao vivo e não à plataforma como um todo. A empresa tem agora 10 dias para apresentar recursos e explicar suas medidas de proteção para crianças e adolescentes.
O caso da adolescente motivou uma operação da Polícia Federal, resultando na prisão de cinco adolescentes e um homem, todos envolvidos em atos criminosos na plataforma. O Discord afirmou que removeu o canal e suspendeu as contas associadas em menos de 25 minutos após o alerta da polícia.
Documentos do Ministério da Justiça indicam que o uso do Discord em atividades ilícitas não é isolado, com pelo menos sete operações policiais relacionadas a crimes ocorrendo entre 2023 e 2026. As investigações incluem casos de automutilação, incitação ao suicídio e cyberbullying, envolvendo frequentemente crianças e adolescentes.
