A inteligência artificial (IA) se tornará uma ferramenta central nas campanhas eleitorais de 2026, prometendo otimizar a análise de dados e a produção de materiais promocionais. Contudo, especialistas alertam sobre os riscos associados ao uso indevido da tecnologia, especialmente na criação de conteúdos falsos que podem enganar os eleitores.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu diretrizes específicas para o uso da IA nas campanhas, visando mitigar a desinformação. A tecnologia pode facilitar a identificação de demandas eleitorais ao analisar comentários e interações nas redes sociais, permitindo que candidatos desenvolvam propostas mais alinhadas às expectativas da população.
De acordo com o professor Diogo Cortiz, da PUC-SP, a IA terá um papel decisivo na disputa eleitoral, proporcionando uma análise rápida de grandes volumes de dados. Além disso, a tecnologia pode reduzir custos de produção de campanhas, conforme aponta o professor Flávio Ferrari, da ESPM, que destaca a acessibilidade das plataformas que geram conteúdos em segundos.
No entanto, o uso de deepfakes representa um grande risco. Anderson Rocha, coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, ressalta que a manipulação de imagens e vídeos pode criar conteúdos extremamente realistas, dificultando sua identificação. O laboratório analisou casos de falsificações, incluindo um vídeo gerado artificialmente do ex-presidente dos EUA, John F. Kennedy.
Uma pesquisa revelou que 71,6% dos brasileiros acreditam que a IA pode ser utilizada para manipular eleitores, mas apenas 45,3% se sentem capazes de identificar conteúdos gerados artificialmente. O presidente do TRE-SP, José Antonio Encinas Manfré, enfatiza a importância de garantir que a tecnologia beneficie a democracia.
O TSE determinou que todo conteúdo sintético produzido por IA deve ser claramente identificado, e a utilização de deepfakes para manipulação de imagem ou voz de pessoas é proibida. Especialistas afirmam que, apesar da sofisticação dos conteúdos, é possível rastrear sua origem digital, e aqueles que utilizarem a tecnologia de forma irregular devem ser punidos conforme a lei.
