Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP desenvolveram um teste rápido que reduz em até 60 horas o tempo de detecção de superbactérias em pacientes internados em UTIs. A nova tecnologia, aprovada pela Anvisa, promete também uma economia significativa para os hospitais, que pode variar de US$ 2.400 a US$ 3.900 por cada 100 leitos de UTI por semana.
As superbactérias são microrganismos que se tornaram resistentes a múltiplos antibióticos, representando uma grave ameaça à saúde pública. No Brasil, infecções causadas por cepas resistentes, como as Enterobactérias, apresentam uma taxa de mortalidade de 63,8%. Os métodos tradicionais de diagnóstico, que dependem do cultivo em laboratório, levam de dois a três dias, forçando os pacientes a um estressante isolamento.
O novo teste utiliza uma amostra coletada via swab retal, que é incubada em um caldo nutritivo por apenas seis horas antes de ser submetida ao exame. Segundo o médico infectologista Matias Chiarastelli Salomão, um dos autores do estudo, “o grande pulo do gato é a mudança no fluxo dos testes”, permitindo que o diagnóstico seja feito de forma mais rápida e eficiente.
Além da economia financeira, a redução do tempo de isolamento melhora a saúde mental dos pacientes e otimiza o trabalho das equipes de enfermagem, que não precisarão realizar atendimentos frequentes para os mesmos casos. A implementação do teste pode transformar a dinâmica de atendimento nos hospitais, especialmente em unidades de pequeno e médio porte, onde o espaço para isolamento é limitado.
Atualmente, o teste está disponível apenas em planos de saúde particulares, mas a intenção é tornar o diagnóstico acessível a hospitais de diversas regiões, incluindo áreas remotas. A maioria dos materiais necessários para o exame é de fácil aquisição, o que pode beneficiar países em desenvolvimento.
