Uma pesquisa realizada em São Paulo revelou que 90% dos médicos residentes não se sentem preparados para comunicar diagnósticos graves aos pacientes. O estudo, publicado na revista Biomédica, destaca a necessidade de mais treinamento em comunicação e cuidados paliativos na formação médica.
O cardiologista Ricardo Tavares de Carvalho, diretor executivo do Centro Integrado de Cuidado Paliativo da Faculdade de Medicina da USP, afirma que a falta de habilidades de comunicação é um desafio significativo. Ele destaca que a formação médica tradicional não inclui treinamento específico para essas situações, o que se tornou ainda mais evidente durante a pandemia.
Embora a Faculdade de Medicina da USP esteja implementando mudanças, como uma disciplina obrigatória sobre comunicação e cuidados paliativos no internato, Carvalho observa que a carga horária ainda é insuficiente. Desde 2023, tópicos relevantes estão sendo abordados, mas a formação continua a necessitar de melhorias.
Carvalho enfatiza que a comunicação de más notícias é uma habilidade que pode ser ensinada e aprendida, exigindo prática e experiência. Ele ressalta a importância de preparar os médicos para lidar com situações delicadas, como informar sobre doenças incuráveis ou a morte de um familiar.
O especialista conclui que, apesar da dificuldade, é possível acolher e ajudar os pacientes ao transmitir informações difíceis, reconhecendo que essas situações geram angústia e medo.
