sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emSão Paulo, Vida e Saúde

Traumatismo craniano pode alterar a personalidade por anos

Traumatismo craniano pode alterar a personalidade por anos
Traumatismo craniano pode alterar a personalidade por anos
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Pesquisas indicam que lesões na cabeça podem não apenas afetar funções cerebrais, mas também mudar a personalidade de uma pessoa, um aspecto frequentemente negligenciado em comparação com as sequelas físicas. Lesões cerebrais resultantes de quedas, acidentes de trânsito ou outros traumas podem provocar dificuldades motoras, de fala e de memória, mas também impactam emoções e comportamentos.

Uma revisão abrangente publicada no Journal of Neurology, que analisou mais de 100 estudos ao longo de décadas, revelou que cerca de 68% dos pacientes com traumatismo craniano apresentam alterações de personalidade, com aproximadamente 28% dessas mudanças sendo significativas o suficiente para serem classificadas como transtornos de personalidade secundários.

Os resultados mostram que essas alterações podem durar muitos anos, com algumas pesquisas indicando mudanças ainda presentes cinco a sete anos após o trauma, e outras que acompanharam pacientes por várias décadas. No entanto, muitos estudos eram pequenos e utilizaram metodologias diversas, deixando questões em aberto.

Não foi possível identificar se lesões em regiões específicas do cérebro estão ligadas a tipos específicos de alterações de personalidade. Além disso, as evidências sobre tratamentos eficazes para essas mudanças ainda são limitadas.

É crucial que pacientes e familiares compreendam que mudanças comportamentais após um traumatismo craniano não devem ser vistas como simples mau humor ou falta de esforço, mas como consequências da lesão cerebral que requerem avaliação profissional. O acompanhamento deve ser multidisciplinar, envolvendo neurologia, psicologia, neuropsicologia, psiquiatria e reabilitação.

Reconhecer essas alterações é vital, pois as consequências de um traumatismo craniano podem afetar não apenas o indivíduo, mas também suas relações familiares, profissionais e sociais. O estudo destaca a necessidade urgente de desenvolver estratégias eficazes para tratar não apenas as sequelas físicas e cognitivas, mas também as mudanças emocionais e comportamentais decorrentes de lesões cerebrais.

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