Em artigo publicado no Jornal da USP, a professora Janice Theodoro da Silva, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, alerta que o uso de xingamentos e linguagem agressiva no cotidiano e na política pode intensificar conflitos e levar a desfechos violentos. Ela argumenta que as palavras precedem os sentimentos e podem fabricar emoções e ações, servindo tanto para a negociação quanto para a guerra.
A docente cita exemplos como brigas familiares, conflitos no trânsito que terminam em tiros e o vocabulário hostil presente nas redes sociais. Segundo ela, a cultura moderna, competitiva e ansiosa, favorece a agressividade, e a linguagem ofensiva desestrutura relações pessoais e sociais, criando um ambiente propício à violência.
No texto, a professora recorre a teóricos como Thomas Hobbes e John Keegan para discutir a natureza violenta do ser humano e as formas de mitigar a guerra. Ela destaca que, ao contrário das guerras primitivas, que tinham mecanismos de limitação, a guerra moderna tende ao extremo, e a diplomacia e as instituições internacionais são instrumentos essenciais para conter a barbárie.
Janice Theodoro também faz uma analogia com a mitologia grega, comparando o gigante Polifemo, que despreza a inteligência e usa a força bruta, com Odisseu, que usa a astúcia e as palavras para escapar. Ela conclui que saber nomear as coisas e compreender as ambiguidades humanas é fundamental para a convivência em sociedade, e que a arrogância e o ódio são venenos de efeito lento.