Alunos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP estão se preparando para a prática clínica antes do estágio obrigatório, participando do projeto Avaliação Musculoesquelética de Pacientes com Migrânea. Sob supervisão, eles avaliam e tratam pacientes com enxaqueca e dores na cabeça, pescoço e coluna cervical.
O projeto é realizado nos ambulatórios de Cefaleia e Algias Craniofaciais e de Cefaleia Infantil do Hospital das Clínicas da FMRP, que oferece atendimento especializado e multidisciplinar, incluindo acompanhamento fisioterapêutico.
A professora Débora Bevilaqua Grossi, responsável pela Fisioterapia nos ambulatórios, destaca que a proposta visa integrar ensino, assistência e pesquisa, proporcionando aos alunos uma experiência clínica precoce. “Nosso objetivo é integrar esses alunos de graduação, dando a eles uma experiência prévia dentro de um ambiente clínico”, afirma.
Os estudantes passam por uma fase de observação e, em seguida, recebem treinamento sobre os procedimentos de avaliação e técnicas terapêuticas. “É um treinamento obrigatório. Ninguém começa a atender sem esse preparo prévio”, ressalta Débora.
Durante as atividades, os alunos aprendem a avaliar o sistema da cabeça e coluna cervical, propor tratamentos e acompanhar a evolução dos pacientes, além de desenvolver habilidades para o manejo clínico de dores crônicas.
Os pacientes atendidos inicialmente são avaliados pela equipe de Neurologia e, quando necessário, recebem acompanhamento fisioterapêutico. Entre julho e dezembro de 2024, 595 pacientes foram atendidos nos ambulatórios, com 56 deles recebendo tratamento fisioterapêutico.
A participação no ambulatório pode abrir novas oportunidades acadêmicas, com muitos alunos desenvolvendo trabalhos de iniciação científica e até realizando pesquisas no exterior. A professora enfatiza que a experiência no projeto é uma porta de entrada para o conhecimento e pesquisa na área de cefaleias.
O projeto busca manter a integração entre formação profissional, pesquisa científica e atendimento à população, contribuindo para o tratamento de dores que são prevalentes e incapacitantes.