Representantes da My Vintage Dress, empresa de vestidos de noiva em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, não compareceram à reunião convocada pelo Procon-SP nesta quinta-feira (3) para prestar esclarecimentos sobre reclamações de clientes que não receberam os vestidos contratados nem o reembolso dos valores pagos.
A empresa foi notificada pelo órgão, mas, segundo o Procon-SP, ninguém respondeu às tentativas de contato feitas pelo endereço comercial, pelos endereços de seus responsáveis e pelos canais digitais. A reunião estava marcada para as 15h, na sede do órgão, mas nenhum representante da empresa compareceu.
O caso provocou uma mobilização de clientes e familiares em frente ao ateliê, com tumulto e invasão da loja. Segundo a proprietária, a confusão também levou à interrupção da produção. Na quarta-feira (2), a Polícia Civil informou que investiga o caso como estelionato.
“O Procon-SP está em contato direto com as consumidoras e com as instituições financeiras relacionadas, na tentativa de amenizar também os prejuízos financeiros. Será dado ainda prosseguimento aos procedimentos de fiscalização e apuração, com adoção de medidas sancionatórias e encaminhamento às autoridades competentes”, afirmou o órgão, em nota.
A poucos dias de seus casamentos, noivas que contrataram vestidos da My Vintage Dress enfrentam dificuldades para retirar as peças e conseguir contato com a empresa.
A crise envolvendo a loja se tornou pública nos últimos dias, depois que clientes começaram a relatar nas redes sociais que pagaram pelos vestidos, mas não receberam as peças dentro do prazo combinado.
Iara choram em frente à loja que não entregou vestido para o seu casamento. — Foto: Reprodução/TV Globo
Algumas delas tinham o casamento marcado para os próximos dias e afirmaram não conseguir respostas da empresa.
Segundo a proprietária da My Vintage Dress, Camila Rossi, a empresa enfrentou problemas em sua operação de produção. Em comunicado, a loja afirma que passou por um período de “volume excepcional de pedidos e desafios na produção”.
Diante da situação, a empresa decidiu fechar temporariamente a loja para novas vendas e concentrar os esforços nos pedidos que já estavam em andamento.
A advogada da proprietária, Thaís Brito, afirmou que um dos problemas enfrentados pela empresa foi justamente a alta demanda de vestidos. Segundo ela, a loja física foi fechada temporariamente para que a equipe pudesse atender aos pedidos.
“Houve algumas alterações, até mesmo na qualidade dos vestidos, das peças. Então, elas estão com uma qualidade superior e, por isso, o atendimento acabou sendo um pouco comprometido na produção, devido à quantidade de vendas realizada anteriormente e à atual entrega”, disse Thaís Brito.
A empresa também informou que o volume de mensagens recebidas estava acima da capacidade imediata de retorno e pediu que as clientes aguardassem o contato da loja.
Entre as clientes está Iara, que tinha a retirada do vestido marcada para terça-feira (1º), mas se casaria na segunda-feira seguinte. Ao perceber que a empresa enfrentava problemas, ela tentou entrar em contato com a loja e afirmou que não recebeu resposta.
“Eu mandei mensagem, e eles não me responderam. Na verdade, era uma mensagem automática parece. Pesquisei no Waze e apareceu temporariamente fechado […] Eu vou procurar outro vestido, tentei o máximo, estou fazendo o que o meu coração está pedindo”, relatou Iara, emocionada.
Nas redes sociais, outras clientes também passaram a relatar dificuldades para conseguir os vestidos contratados.
Vestido de noiva que Janaína Santos não recebeu da My Vintage Dress — Foto: Reprodução/TV Globo
Na segunda-feira (31), clientes foram até a My Vintage Dress, em Pinheiros, para cobrar informações sobre os pedidos. A movimentação ganhou repercussão nas redes sociais.
Segundo a empresa, naquela noite houve uma “entrada coletiva e não autorizada” no estabelecimento. A loja afirma que mais de 50 pessoas entraram no local sem autorização.
A empresa também disse que algumas peças foram retiradas do estabelecimento durante a confusão. Segundo o comunicado, os vestidos foram retirados posteriormente por segurança.
A My Vintage Dress afirmou ainda que passou a receber ameaças pelas redes sociais e suspendeu temporariamente o perfil no Instagram.
Na manhã de terça-feira (1º), um grupo de noivas e familiares voltou ao endereço da loja em busca de respostas. Algumas clientes choraram diante do estabelecimento e disseram que não conseguiam contato com a empresa. A Polícia Militar chegou a ser acionada após algumas das noivas invadirem a loja.
Uma das noivas, Iara, estava entre as mulheres que foram ao local. Ela afirmou que precisava encontrar uma alternativa para o casamento diante da falta de informações sobre o vestido.
O episódio aumentou a repercussão do caso e fez com que vídeos e relatos das clientes circulassem nas redes sociais.
Na noite de terça-feira (1º), Camila afirmou que o tumulto provocado pela presença das noivas e familiares em frente ao estabelecimento afetou diretamente o funcionamento do ateliê.
Segundo ela, a confusão interrompeu a produção em um momento considerado crítico para a empresa, já que havia vestidos que precisavam ser produzidos, finalizados e organizados para clientes com casamentos marcados para os dias seguintes.
“O tumulto na loja e no ateliê impactou diretamente nosso trabalho. Além de interromper a produção em um momento crítico, a situação assustou nossa equipe e algumas funcionárias estão com medo de retornar ao trabalho.”
A proprietária afirmou que a prioridade naquele momento era atender as noivas que se casariam nos próximos dias.
“Nossa prioridade são as noivas que se casam nos próximos dias.”
Camila disse ainda que a empresa estava mobilizando a equipe, disponibilizando o acervo, buscando parceiros e trabalhando para encontrar alternativas para as clientes.
“Sei que nenhuma explicação diminui a angústia de vocês. Neste momento, mais do que explicar, queremos agir.”
Ao final do comunicado, pediu desculpas às noivas e às famílias afetadas. “Não estamos parados e não desistimos. Estamos trabalhando incansavelmente para entregar todos os vestidos.”
Nesta quarta-feira (2), a Polícia Civil informou que vai investigar como estelionato o caso da My Vintage Dress. Clientes afirmam que pagaram pelos vestidos, mas não receberam as peças dentro do prazo combinado.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os casos estão sendo registrados como estelionato pelo 14º Distrito Policial de Pinheiros ou por meio da Delegacia Eletrônica.
A autoridade policial está analisando as ocorrências e encaminhando-as às unidades policiais responsáveis pelas circunscrições dos endereços das vítimas, para as devidas providências”, informou a pasta.
A My Vintage Dress afirma que enfrenta dificuldades provocadas pelo volume de pedidos e pela produção dos vestidos. A empresa diz que fechou temporariamente as portas para novas vendas para concentrar os esforços nos pedidos já contratados.
Também afirma que continua atendendo e realizando provas e que a prioridade são as clientes com casamentos mais próximos.
A empresa nega que as imagens de araras vazias que circularam nas redes sociais representem o encerramento das atividades. Segundo a loja, alguns vestidos foram retirados do local por segurança depois da entrada de pessoas no estabelecimento.
A advogada Thaís Brito também atribuiu parte dos problemas à alta demanda e afirmou que houve alterações na qualidade das peças, com o objetivo de entregar vestidos de qualidade superior.
