Especialistas ressaltam a necessidade de políticas públicas que promovam a transição da agricultura familiar brasileira, atualmente dependente do cultivo de tabaco, para alternativas mais sustentáveis. A indústria do tabaco, que movimenta bilhões globalmente, gera custos sociais e financeiros superiores aos seus lucros.
O Brasil, líder na exportação de tabaco desde 1993, registrou em 2025 um recorde de movimentação de US$ 3,38 bilhões com a venda de 561 mil toneladas do produto. A produção está concentrada no Sul do país, com 96% da produção oriunda de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
De acordo com o iPC Maps, as despesas com produtos relacionados ao tabaco devem alcançar R$ 34,8 bilhões até o final deste ano, um aumento de 8,5% em relação ao ano anterior. O Estado de São Paulo é responsável por quase R$ 12 bilhões desse montante, seguido por Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Os especialistas alertam que a dependência dos produtores de tabaco é um obstáculo significativo. Luciano Nakabashi, da USP, afirma que o Estado deve intervir para facilitar a diversificação das culturas, conectando os agricultores a fornecedores de produtos alternativos. Gonzalo Vecina Neto, também da USP, defende que a substituição do tabaco por culturas mais rentáveis é essencial para a sustentabilidade das famílias envolvidas na produção.
A Associação dos Fumicultores do Brasil aponta que 135.972 famílias estão envolvidas na produção de tabaco, com um recuo de 1,5% em relação ao ciclo anterior. A agricultura familiar, embora rentável, enfrenta desafios para sua diversificação, e a implementação de políticas públicas é vista como crucial para garantir um futuro sustentável para esses produtores.