Períodos sem tarefas específicas podem envolver processos ligados à memória, planejamento e criatividade, segundo especialistas.
Contrariando a ideia de que não fazer nada significa dar uma pausa ao cérebro, estudos mostram que a atividade cerebral continua intensa mesmo sem estímulos externos. Durante esses momentos, diferentes regiões do cérebro se ativam, processando memórias, emoções e pensamentos espontâneos.
A Rede de Modo Padrão (DMN) é uma das principais responsáveis por essa atividade, apresentando maior funcionamento quando a atenção não está voltada para uma tarefa. É nesse contexto que ocorre a divagação mental, onde a mente pode viajar por lembranças e planos futuros.
O neurologista Octávio Marques Pontes Neto, da USP, explica que o repouso cerebral não é uma interrupção, mas sim uma mudança na forma como o cérebro utiliza seus recursos. “O cérebro nunca fica realmente desligado”, afirma.
Além disso, Pontes destaca que a divagação mental pode ser benéfica, contribuindo para a consolidação de memórias e favorecendo a criatividade e a resolução de problemas. No entanto, ele alerta que o uso excessivo de dispositivos digitais pode prejudicar essa dinâmica, uma vez que os estímulos constantes reduzem as oportunidades para o pensamento espontâneo.
Para uma melhor saúde mental, é recomendável reservar momentos de ociosidade genuína, como olhar pela janela ou deixar os pensamentos fluírem, ao invés de consumir continuamente conteúdos digitais.
