Pesquisadores do Cebrap foram entrevistados por diversos veículos de comunicação sobre os resultados do primeiro turno das eleições de 2026, que resultaram na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT).
Marcos Nobre, ex-presidente do Cebrap e diretor do Centro para Imaginação Crítica (CCI-Cebrap), participou do podcast Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, em 6 de outubro. Durante a entrevista, Nobre analisou o desempenho do PL, que conquistou 121 deputados, a maior bancada de um único partido desde a Constituição de 1988. Ele destacou a organização política como um fator comum entre os dois lados da disputa, mencionando que a coalizão progressista enfrenta um déficit de organização, enquanto o bolsonarismo possui uma estrutura eficaz, planejando a eleição para o Senado desde 2023.
Nobre descreveu essa estrutura como o partido digital bolsonarista, que, segundo ele, “ganha nos dois lados”: no ambiente digital e ao se aliar a partidos tradicionais, garantindo acesso a fundos eleitorais e emendas. Ele questionou como o progressismo, especialmente a esquerda, irá enfrentar esse desafio, considerando que o PT, apesar de ser um grande partido de massa, carece da agilidade necessária para responder.
A tese do CCI sugere que a ascensão do bolsonarismo está ligada a uma nova forma de partido político, que opera de maneira coordenada nas redes sociais, com decisões ocorrendo prioritariamente no ambiente digital, distantes dos partidos tradicionais.
Outros pesquisadores do Cebrap também foram ouvidos sobre o tema. Daniela Costanzo comentou sobre o papel dos escândalos e do sentimento antissistema na virada de Flávio Bolsonaro, enquanto Jacqueline Teixeira analisou o desempenho do PL para a BBC News Brasil. Lilian Sendretti e Leonardo Martins Barbosa avaliaram as chances de Lula no segundo turno e a dificuldade de reversão em um cenário de diferença significativa entre os candidatos, respectivamente. Vinicius do Valle destacou a influência da religião no voto, e Márcio Moreto analisou os desafios de Lula no segundo turno.
