Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos desenvolveram uma ferramenta que distingue notícias falsas escritas por humanos das geradas por inteligência artificial (IA). O sistema analisa as características linguísticas dos textos, classificando-os e indicando os pontos relevantes que ajudam a determinar sua origem.
Em testes de laboratório, a ferramenta demonstrou alta capacidade de identificar se um texto foi produzido por um humano ou por uma máquina, o que pode levar à sua aplicação em programas específicos para classificar conteúdos em português. A pesquisa foi apresentada na 25ª Conferência Internacional sobre Inteligência Artificial (EPIA) em Portugal.
O professor Thiago Pardo, orientador do trabalho, destacou a importância da pesquisa, afirmando que “ajudaria a ‘rastrear’ a origem da informação falsa veiculada”. O desenvolvimento da ferramenta faz parte do projeto Synestech.AI, que reúne pesquisadores de diversas instituições.
O projeto busca caracterizar linguisticamente conjuntos de notícias e avaliar o desempenho de classificadores automáticos, com o objetivo de ajudar a sociedade a discernir a origem do conteúdo falso. A análise envolve comparações de vocabulário, complexidade silábica e regras gramaticais entre textos humanos e gerados por máquinas.
Atualmente, o método está em fase de prova de conceito, e ainda não há software disponível para uso. A pesquisa continua com questões em aberto sobre a eficácia do sistema em diferentes conjuntos de dados e o impacto de tentativas de enganar os classificadores.
