Um estudo da Fundação Carlos Chagas analisa os motivos que levam professores a lecionar em mais de uma escola. Os resultados indicam que, apesar da preferência por atuar em uma única instituição com carga horária de 20 a 30 horas-aula semanais, muitos educadores precisam trabalhar em múltiplas escolas, chegando a cumprir 40 horas-aula ou mais por semana.
A pesquisa Teaching and Learning International Survey (TALIS), realizada pela OCDE, revela que o Brasil é um dos países com maior proporção de professores nessa situação. Segundo Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação (FE) da USP, os baixos salários forçam muitos docentes a buscar complementos de renda.
O Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036 propõe a criação de mecanismos para que os profissionais do magistério cumpram sua jornada em um único estabelecimento escolar, visando melhorar as condições de trabalho e a qualidade do ensino.
De acordo com Cara, a atuação em diferentes escolas não é uma escolha, mas uma consequência da estrutura das redes públicas de ensino e da remuneração oferecida. A concentração da jornada em uma única instituição possibilita melhor planejamento das aulas, desenvolvimento de projetos e construção de vínculos com alunos e famílias.
O estudo também aponta que a organização das redes de ensino e as decisões dos gestores impactam diretamente as condições de trabalho dos professores, destacando desafios como a distribuição de aulas e a dependência de contratos temporários.
Entre as recomendações do relatório estão a ampliação de concursos públicos, valorização salarial e aprimoramento dos planos de carreira. A implementação dessas medidas requer a colaboração entre os governos federal, estaduais e municipais.
A efetivação das propostas do PNE é um desafio para as redes públicas de ensino, sendo fundamental a valorização profissional e a organização da jornada para melhorar as condições de trabalho e a qualidade da educação básica.