Pesquisadores da USP e da Unesp investigaram a influência da variação térmica do ambiente no comportamento de defesa de animais ectotérmicos, como anfíbios e répteis. O estudo, publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, revela que ambientes com maior variação de temperatura ao longo do dia favorecem respostas de febre comportamental, onde esses animais buscam locais mais quentes para elevar a temperatura corporal durante infecções.
A febre comportamental é uma estratégia importante para combater patógenos, já que a elevação da temperatura pode dificultar a multiplicação de agentes infecciosos. Diferentemente dos animais endotérmicos, que geram calor internamente, os ectotérmicos dependem de fontes externas, como a luz solar, para regular sua temperatura.
O professor Danilo Giacometti, um dos autores do estudo, explica que, ao enfrentar uma infecção, um sapo, por exemplo, precisa se deslocar para um local mais quente, como uma rocha aquecida, para expressar essa resposta febril. Além disso, a pesquisa também identificou que algumas espécies podem adotar a hipotermia comportamental, buscando ambientes mais frios para desacelerar o metabolismo.
Os resultados indicam que a capacidade dos animais de explorar as variações térmicas do ambiente é crucial para sua defesa contra infecções. No entanto, a pesquisa destaca que a resposta à infecção pode variar conforme o tipo de patógeno, com aumentos mais significativos da temperatura corporal observados em animais infectados por bactérias.
O estudo foi realizado em colaboração com diversos pesquisadores e financiado pela Fapesp. Os dados obtidos, embora reveladores, representam apenas uma fração da diversidade de anfíbios e répteis existentes, e mais pesquisas são necessárias para entender completamente essas dinâmicas na natureza.