Um estudo recente identificou desigualdades na sobrevida de pacientes com linfoma difuso de grandes células B atendidos nas redes pública e privada de saúde em São Paulo. Desde 2015, ambos os grupos recebem o mesmo protocolo de tratamento, a quimioimunoterapia R-CHOP, que combina medicamentos como rituximabe e quimioterápicos. No entanto, a pesquisa revelou que a sobrevida global dos pacientes do SUS é inferior à dos atendidos na rede privada.
Com base em dados do Registro Hospitalar de Câncer do Estado de São Paulo, os pesquisadores analisaram 2.396 pacientes diagnosticados entre 2015 e 2020. Os resultados mostraram que, após cinco anos, a taxa de sobrevivência dos pacientes tratados no SUS era de 51,7%, enquanto na rede privada era de 64,7%. O médico hematologista Rafael Dezen Gaiolla, um dos coordenadores do estudo, destacou que a sobrevivência não depende apenas do tratamento, mas também de outros fatores.
Um dos fatores mais relevantes identificados foi o nível de escolaridade. Pacientes com maior escolaridade, que possuíam nove anos ou mais de educação formal, apresentaram uma taxa de sobrevivência de 63,9% em cinco anos, em comparação a 45,2% entre aqueles com até oito anos de escolaridade. Gaiolla enfatizou que a escolaridade impacta no autocuidado e na adesão ao tratamento.
O estudo também analisou o tempo de espera para o início do tratamento, revelando que pacientes que começaram o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico apresentaram pior sobrevida, o que pode estar relacionado à biologia do tumor. Além disso, foi observada uma diferença significativa na sobrevida entre os sexos, especialmente entre mulheres atendidas no SUS.
Os pesquisadores ressaltaram a importância de políticas públicas que abordem essas desigualdades e a necessidade de bancos de dados atualizados para melhorar o atendimento aos pacientes. O próximo passo da pesquisa será investigar o desfecho clínico de pacientes que necessitam de segunda linha de tratamento contra o linfoma.