Na terça-feira (3/11), o Cebrap, em São Paulo, sediou o seminário “Renda digna e salário digno: diálogos transversais”, organizado em parceria com o Anker Research Institute (ARI). O evento contou com a presença de Richard e Martha Anker, criadores da Metodologia Anker® de Salário Digno e Renda Digna, e reuniu pesquisadores de diversas áreas para discutir quanto o trabalho deve remunerar para garantir condições de vida dignas.
Adrian Gurza Lavalle, presidente do Cebrap, abriu o encontro destacando a parceria com o ARI e a pluralidade das pesquisas da instituição ligadas à agenda de trabalho decente. Em seguida, Richard Anker explicou que a Metodologia Anker calcula o salário digno a partir do custo de uma vida digna, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, bens essenciais e margem para imprevistos. “Para estimar o salário digno é preciso conhecer o custo de uma vida digna no lugar onde as pessoas vivem. E a Metodologia Anker permite justamente retratar as diferentes realidades de um país tão heterogêneo como o Brasil”, afirmou.
Na primeira mesa, intitulada “Renda digna, segurança alimentar e transição justa”, Antonio José Corrêa do Prado (Instituto Fome Zero/Corecon) e Jordano Roma (Cebrap Sustentabilidade) relacionaram a agenda da renda digna ao acesso à alimentação e aos requisitos sociais para uma transição ecológica justa. Roma ressaltou que “a perspectiva da renda digna traz uma dimensão fundamental para o debate sobre os custos da transição ecológica”.
A segunda mesa, “Salário digno, trabalho e inclusão social e produtiva”, contou com Nadya Guimarães (USP/CuiDDe-Cebrap) abordando a relação entre salário digno e cuidados, Wesley Matheus (Afro-Cebrap, OQGP/Insper) analisando desafios macroeconômicos, e Victor Callil (Nudes-Cebrap) discutindo o tema no contexto do trabalho em plataformas digitais. O diretor da parceria ARI‑Cebrap, Ian Prates, destacou que a discussão ampliou a visão sobre remuneração ao considerar a distribuição de responsabilidades de cuidado, as desigualdades de gênero e raça e as condições de inserção nas plataformas.
O seminário foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do Cebrap, permitindo a participação de público presencial e remoto. Ao final, Ian Prates concluiu que “a agenda do salário digno precisa dialogar com as desigualdades estruturais da sociedade brasileira, e o seminário avançou em uma discussão transversal… conectando a mensuração das necessidades das famílias à pesquisa sobre trabalho, mudanças climáticas e segurança alimentar”.
