O segundo vazamento de dados sigilosos do Smart Sampa, sistema de monitoramento da Prefeitura de São Paulo, reacende o debate sobre a segurança e a confiabilidade do programa. Segundo denúncia do Portal Uol, cerca de 17 mil câmeras tiveram informações expostas. Para a professora Raquel Rolnik, o episódio revela uma contradição: um sistema criado para ampliar a segurança acaba produzindo o efeito oposto, ao expor dados e imagens de ambientes públicos.
Entre os casos mais graves estão imagens captadas dentro de Centros de Atenção Psicossocial (Caps), creches e Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o que representa uma séria violação de privacidade. A professora lembra que o Smart Sampa já era alvo de questionamentos desde a licitação, especialmente pelos riscos de discriminação associados ao reconhecimento facial. Especialistas e parlamentares alertaram, na época, para o chamado racismo algorítmico, já que a tecnologia apresenta maior índice de erros na identificação de pessoas negras.
Outro ponto de preocupação era a previsão de alertas automáticos baseados em critérios como vadiagem, permanência, mendicância e cor, que poderiam reforçar a discriminação contra a população em situação de rua. Somados aos elevados custos, à invasão de privacidade e às vulnerabilidades de segurança digital, os episódios de vazamento reforçam, segundo Rolnik, a necessidade de interromper imediatamente o sistema e submetê-lo a uma revisão.
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.