A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 51,79% dos votos válidos, em contraste com as 13 das 14 pesquisas que indicavam Flávio Bolsonaro à frente, levanta questionamentos sobre a transparência nas pesquisas eleitorais.
Estudiosos, como a professora Lorena Barberia da USP, destacam a necessidade de acesso público aos microdados para entender as discrepâncias entre as pesquisas e os resultados das urnas. Ela aponta que as informações disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não são suficientemente claras e que poucos institutos compartilham microdados após as eleições.
A professora ressalta que apenas dois institutos, Datafolha e Ipec, disponibilizaram dados da última pesquisa no Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp. Ela critica a utilização de resultados em PDF para tirar conclusões sobre o eleitorado, enfatizando a importância de análises estatísticas rigorosas.
Além disso, a falta de pesquisas de boca de urna dificulta a identificação do perfil dos eleitores, comprometendo a precisão das amostras. As metodologias variadas entre os institutos podem influenciar as estimativas, o que reforça a necessidade de uma parceria entre financiadores, institutos e a academia para fortalecer a confiança nas pesquisas eleitorais.
