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sábado, 22 de agosto de 2026
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Clube de várzea Cruz da Esperança é despejado do Campo de Marte para novo parque

Clube de várzea Cruz da Esperança é despejado do Campo de Marte para novo parque
Clube de várzea Cruz da Esperança é despejado do Campo de Marte para novo parque
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Na manhã desta quarta‑feira (29/07), a Prefeitura de São Paulo iniciou a desocupação do Grêmio Esportivo Cruz da Esperança, clube de futebol de várzea com quase cinco décadas de história, localizado no Campo de Marte, zona norte da capital. A ação faz parte do projeto de transformar a área de 385 mil m² em um novo Parque Campo de Marte.

Funcionários municipais esvaziaram o terreno e, logo depois, retroescavadeiras começaram a demolir a sede onde o Cruz mantinha suas atividades, inclusive o popular Samba do Cruz. “O sentimento é como o de perder uma família. Meus meninos foram todos criados aqui, já são quatro gerações”, lamentou Antônio de Jesus Marcos, de 71 anos, presidente do clube e membro desde 1979.

A remoção ocorreu após a Justiça autorizar a reintegração de posse em março, permitindo a transferência da área ao Consórcio Cântaro, que assinou em 2025 contrato de concessão de 35 anos para construir e explorar o parque, com investimento estimado em R$ 202 milhões. O clube foi o único que não aceitou a proposta de uso dos futuros campos de futebol no parque, alegando risco às atividades culturais, como o samba de fim de semana.

O último evento realizado antes da reintegração reuniu cerca de três mil pessoas, que permaneceram cantando até as 7 h da manhã em protesto pacífico. “O público ficou até 7h da manhã manifestando sua indignação, um ato de resistência pacífica”, relatou Fábio Henrique Januário, organizador da roda de samba. A mãe de santo iyá Keize Oliveira, que manteve um terreiro no local por 12 anos, declarou: “Estou com o coração sangrando, não acreditamos que chegaria a esse ponto”.

Os pertences do Cruz foram carregados em caminhão para um galpão próximo enquanto se aguarda nova negociação. O presidente, conhecido como Tio Toninho, ainda busca alternativa para que o clube continue suas atividades. Até a quarta‑feira, o abaixo‑assinado exigindo reconhecimento como patrimônio cultural contava com 26 mil assinaturas virtuais, e a prefeitura estima que o futuro parque beneficiará cerca de 300 mil moradores da região.

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