A recente onda de calor na Europa, com temperaturas acima de 40°C, reacendeu o debate sobre o uso de ar-condicionado. Enquanto políticos discutem a expansão dos aparelhos, uma questão crucial é ignorada: a origem dos materiais necessários para produzi-los, muitos dos quais são controlados pela China.
Na França, a líder de extrema-direita Marine Le Pen defendeu a instalação em massa de ar-condicionado em hospitais, asilos e escolas, atribuindo a resistência a um tabu ideológico da esquerda. Em resposta, ecologistas e membros da França Insubmissa acusaram a extrema-direita de explorar politicamente o tema e alertaram para o aumento das emissões de gases de efeito estufa.
Enquanto isso, consumidores europeus correm para comprar aparelhos portáteis e ventiladores. No entanto, a discussão pública se concentra apenas no consumo de energia e nas emissões, deixando de lado a cadeia de suprimentos. Um relatório do Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL) mostra que a produção de ar-condicionados depende de aço, cobre, alumínio e elementos de terras raras como neodímio e disprósio.
A China domina a produção global: em 2021, fabricou cerca de 82% dos 189 milhões de aparelhos residenciais do mundo. Além disso, controla a maior parte do refino de terras raras. Em abril de 2025, Pequim impôs restrições à exportação de sete desses elementos, incluindo térbio e disprósio, em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, afetando a disponibilidade e os custos globais.
A expansão da climatização não ocorre isoladamente: os mesmos materiais são disputados por veículos elétricos, turbinas eólicas e redes de transmissão. A Europa discute ampliar tecnologias sem considerar a extração mineral, que ocorre majoritariamente em países como República Democrática do Congo, Chile e Argentina. A pergunta que falta no debate é: de onde virão os materiais para sustentar essa expansão?
