Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), sobretudo o papilomavírus humano (HPV), estão associadas ao aumento de casos de câncer de cabeça e pescoço, principalmente quando combinadas com tabagismo e consumo de álcool.
As ISTs são transmitidas principalmente por contato sexual oral, vaginal ou anal sem preservativo. Entre os agentes envolvidos, o HPV e o HIV têm destaque por sua relação direta ou indireta com a formação de células cancerígenas.
Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), Carlos Lehn, “Não são todos os tipos de papilomavírus humano que causam câncer; existem mais de 200 tipos. Porém, os subtipos 16 e 18, que são de alto risco para a neoplasia, produzem proteínas que desativam os mecanismos naturais de defesa do organismo contra tumores, favorecendo a proliferação descontrolada de células e o desenvolvimento da doença”.
Dados do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos por tumores de orofaringe aumentaram 48,8% entre 2021 e 2025, passando de 42.252 para 62.894 registros. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia em 2020 apontou que até 50% dos indivíduos com HIV podem desenvolver câncer. “O HIV enfraquece o sistema imunológico, reduzindo a capacidade do organismo de combater alterações celulares. Além disso, pessoas que vivem com o vírus apresentam maior exposição a fatores de risco, como tabagismo e consumo de álcool, o que aumenta a probabilidade de desenvolver câncer de cabeça e pescoço”, comenta o especialista.
A prevenção inclui vacinação contra o HPV, uso de preservativos em todas as modalidades de relação sexual, adesão ao tratamento antirretroviral para portadores de HIV e a realização periódica de exames de rastreamento da cavidade oral e da orofaringe.
