O medo da morte, presente em conflitos como os de Gaza, Ucrânia e Sudão, continua a ser um dos maiores dilemas filosóficos da humanidade. A obra ‘A Negação da Morte’, de Ernest Becker, sugere que a civilização ocidental desenvolveu mecanismos para evitar encarar a finitude, muitas vezes resultando em guerras e crueldades.
Becker, autor premiado com o Pulitzer, argumenta que a herança judaico-cristã não prepara as pessoas para a morte, ao contrário de tradições como o budismo e o hinduísmo. Enquanto Jesus teria morrido em sofrimento, o Buda histórico partiu serenamente, o que influencia a forma como cada cultura lida com o tema.
O autor aponta que a busca por ‘imortalidade heroica’ pode levar a conflitos, como visto em guerras ao longo da história. Alternativamente, muitos preferem ignorar o problema, ‘tranquilizando-se com o trivial’, mas ambas as estratégias tendem a falhar.
Historicamente, a morte já foi encarada de outras formas: frades medievais cumprimentavam-se com ‘memento mori’, e funerais em algumas culturas são celebrações. No entanto, o suicídio é abominado pelas religiões, embora filósofos estoicos o defendessem e poetas como Sylvia Plath o elevassem à arte.
O debate sobre morte assistida ganha destaque, com defensores lembrando que o horror está no sofrimento, não no alívio. A vida, como lembram os autores, é um direito, não um dever.
