O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, na terça-feira (4), que a juíza Gabriela Hardt continuará recebendo salário durante o afastamento de dois anos do cargo, punição aplicada por atos praticados na Operação Lava Jato. A informação foi confirmada pela TV Globo.
Com a decisão, Hardt deixará de receber benefícios ligados ao exercício da função, como gratificações. Segundo o Portal da Transparência do CNJ, em junho de 2026, a remuneração bruta da magistrada foi de R$ 77.983,48, com líquido de R$ 56.161,46.
O afastamento, chamado de “pena de disponibilidade”, é a segunda sanção mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). O magistrado fica afastado, mas continua com vencimentos proporcionais e fica proibido de exercer outras funções, como advocacia ou cargo público.
A punição foi aplicada por unanimidade, com 10 votos a 4 pela sanção de dois anos. O conselheiro Rodrigo Badaró, relator do processo, avaliou que houve falta de cautela da juíza ao homologar um acordo que criaria uma fundação privada abastecida com recursos da Lava Jato, em menos de 48 horas, sem a prudência devida.
“Ninguém quer demonizar o interesse de recuperar dinheiro para o Brasil, mas nossa obrigação aqui é verificar se a juíza naquele momento deveria ter tido mais cuidado, adentrado mais na questão, deveria ter notificado as partes, consultado órgãos”, disse Badaró, que afirmou não haver indícios de que Hardt tenha agido com intuito de proveito próprio.
A apuração foi aberta em 2024, após fiscalização da Corregedoria apontar supostas irregularidades na validação do acordo, que envolvia valores que chegariam a R$ 2 bilhões. Hardt conduziu a Lava Jato quando assumiu a 13ª Vara Federal do Paraná, substituindo o ex-juiz Sergio Moro. Atualmente, ela está na 23ª Vara Federal em Curitiba.
