O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira (5) que o país não tomará nenhuma medida em resposta à redução das relações diplomáticas com o Brasil. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa, um dia após o chanceler criticar a decisão do governo brasileiro.
O Itamaraty informou que manterá o embaixador brasileiro em Buenos Aires em solo brasileiro enquanto o presidente argentino, Javier Milei, mantiver ataques ao Brasil. Em nota, o governo argentino classificou a decisão como ‘adotada unilateralmente’ e afirmou que o Brasil age por ‘questões puramente ideológicas’.
A chancelaria argentina também destacou que, apesar de ‘numerosos episódios’ de manifestações políticas e apoios cruzados entre dirigentes dos dois países, a Argentina nunca transformou essas divergências em um incidente diplomático. O texto defende que as relações entre os Estados devem responder aos ‘interesses permanentes’ dos povos, não às ‘necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes de turno’.
A crise teve início após a presença de Javier Milei na convenção nacional do PL, em São Paulo, em 25 de julho, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. No evento, Milei chamou Lula de ‘presidiário’. Nos dias seguintes, o presidente argentino intensificou as críticas, acusando o Brasil de liderar uma ‘campanha anti-Argentina’ na Copa do Mundo e de interferir nas eleições argentinas de 2023.
No domingo (2), em entrevista à emissora LN+, Milei voltou a subir o tom, chamando Lula de ‘ladrão’ e ‘corrupto’, e questionou as decisões do STF que anularam as condenações do petista na Lava Jato. Ao comentar a reação brasileira, Milei disse que suas palavras foram ‘espontâneas’ e que ‘agressivo é que alguém roube’.
O governo brasileiro, inicialmente, convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires. O chanceler Mauro Vieira classificou o episódio como ‘sem precedentes’ e grave, mas descartou medidas mais duras naquele momento. O presidente Lula, após evitar a polêmica, endureceu o discurso e chamou a participação de Milei no evento do PL de ‘patacoada’.
