sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emAgro, São Paulo

Chuvas de julho no Sul elevam risco para trigo e algodão; El Niño segue ativo

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Chuvas de julho no Sul elevam risco para trigo e algodão; El Niño segue ativo
Chuvas de julho no Sul elevam risco para trigo e algodão; El Niño segue ativo

O mês de julho foi marcado por chuvas intensas na região Sul do Brasil, com acumulados que ultrapassaram 240 mm em áreas do Rio Grande do Sul, enquanto o Centro-Oeste e o Sudeste registraram totais inferiores a 60 mm. Os dados são do Sistema TempoCampo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, que monitora as condições agrometeorológicas e seu impacto nas safras de grãos.

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as chuvas variaram entre 150 mm e 210 mm, com pontos superiores a 240 mm no território gaúcho. O Paraná acumulou entre 60 mm e 120 mm, enquanto a região Norte teve volumes de 120 mm a 180 mm, com picos acima de 240 mm no oeste da Amazônia. No Nordeste, os acumulados ficaram entre 30 mm e 90 mm, com áreas mais elevadas no norte e litoral.

As temperaturas máximas permaneceram altas no Norte (29°C a 33°C) e no Nordeste (31°C a 35°C), enquanto o Sul teve condições mais amenas, com máximas abaixo de 25°C em grande parte do Rio Grande do Sul. As mínimas evidenciaram contraste térmico: no Norte, entre 23°C e 25°C; no Sul, predominaram valores inferiores a 15°C, típicos do inverno.

Para os produtores de Mato Grosso, o alerta fica para o algodão: as chuvas de meados de junho não causaram perdas expressivas de produtividade, mas foram relatadas alterações na qualidade da fibra em algumas áreas do estado. A colheita da segunda safra, que representa mais de 85% da área estadual, avança e deve se intensificar.

No cenário nacional, a semeadura do trigo está quase concluída (98,8% da área até 27 de julho), com risco de doenças e acamamento devido às chuvas no Sul. O feijão segunda safra está colhido no Paraná e em Minas Gerais, enquanto a terceira safra está em enchimento de grãos. O milho primeira safra está praticamente colhido, e a segunda safra alcançava 58,3% da área colhida, com atrasos em São Paulo por causa das chuvas.

O Centro de Previsão Climática da NOAA indica que o El Niño permanece ativo e deve se intensificar até o final de 2026, com 97% de probabilidade de persistir até a primavera de 2027. Especialistas reforçam a necessidade de acompanhamento agrometeorológico, mas alertam que os impactos não são uniformes, pois dependem da época e da interação com outros sistemas atmosféricos.

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