O candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), elogiou o modelo de segurança de El Salvador, mas descartou a adoção das medidas de combate ao crime implementadas pelo presidente Nayib Bukele. Em entrevista ao g1 e à GloboNews, defendeu ainda a criação de uma intervenção federal permanente na segurança pública do Rio de Janeiro.
Zema afirmou que a intervenção deveria perdurar até que as facções deixem de controlar territórios no estado, citando períodos de “dez, 15 ou 20 anos” e garantindo que o governo federal daria “todo o apoio” ao Rio. Não especificou quando decretaria a medida, mas disse que a decisão seria discutida com o novo governador, o prefeito, especialistas e representantes da sociedade civil.
O candidato usou como exemplo a situação da Light, onde um executivo informou que 52% da energia fornecida não é paga e que o crime organizado arrecada cerca de R$ 1 bilhão por ano.
Embora se inspire no modelo salvadorenho, Zema rejeitou medidas como prisões sem mandado, ampliação do período de detenção sem ordem judicial, restrições ao habeas corpus, ao acesso a advogados, julgamentos coletivos e prisões baseadas em denúncias anônimas, residência ou tatuagens.
Ele declarou que pretende “elevar o custo do crime”, retomar áreas controladas por facções e ampliar o sistema prisional, aproveitando aspectos positivos do modelo de Bukele.
Zema propôs ainda mudar a legislação para permitir a prisão preventiva de indivíduos que acumulem um determinado número de ocorrências, sugerindo a terceira ocorrência como critério, embora o limite seja a ser definido em consulta com especialistas em segurança pública.
Por fim, o candidato prometeu enquadrar facções e organizações criminosas como terroristas, o que permitiria mobilizar as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no combate a esses grupos.