sábado, 22 de agosto de 2026
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Bordas urbanas de SP têm potencial para restauração florestal, aponta estudo da USP

Bordas urbanas de SP têm potencial para restauração florestal, aponta estudo da USP
Bordas urbanas de SP têm potencial para restauração florestal, aponta estudo da USP
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Um estudo do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP revela que as bordas urbanas, zonas de transição entre a cidade e o campo, têm potencial inexplorado para a regeneração florestal. A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, do grupo Nature, analisou 30 anos de dados de desmatamento e regeneração no estado de São Paulo e concluiu que essas áreas regeneram mais do que desmatam.

Segundo a pesquisadora Luciana Schwandner Ferreira, a restauração é normalmente associada a áreas rurais, mas as bordas urbanas também podem receber projetos ambientais. “A restauração é normalmente considerada como algo a ser feito mais nas áreas rurais, onde tem mais espaço e o solo é mais barato. O nosso trabalho, contudo, argumenta que as áreas urbanas e as bordas urbanas também têm potencial de receber esse tipo de incentivo e de projeto”, afirma.

O estudo identificou que, na macrometrópole paulista, que abriga 32,7 milhões de pessoas em 174 municípios, a regeneração superou o desmatamento em 2004. Nas áreas de preservação permanente (APPs) e zonas de risco, a inversão ocorreu ainda nos anos 1990, impulsionada pela proteção legal. “Nessas áreas de APP e de risco, a regeneração supera o desmatamento desde o início dos anos 1990. Por quê? Porque tem uma proteção legal. Isso é política pública com efeito”, destaca a pesquisadora.

Os números são expressivos: as bordas urbanas somam 810 mil hectares no estado, dos quais 413 mil hectares (cerca de 50%) são potencialmente disponíveis para restauração. Na macrometrópole, são 235 mil hectares apenas nas bordas, o que poderia representar 27% da meta estadual de restaurar 1,5 milhão de hectares até 2050. Em comparação, as áreas urbanas densas têm apenas 10% de território potencialmente disponível.

Apesar da tendência positiva, a regeneração é fragmentada, com aumento do número de fragmentos, o que limita a conectividade entre os remanescentes e a recuperação da biodiversidade. A pesquisadora ressalta que os benefícios da restauração em áreas urbanas incluem redução de temperatura, regulação hídrica, melhora da qualidade do ar e geração de empregos. “Fazer restauração em qualquer ambiente é maravilhoso. Mas se conseguirmos fazer isso mais perto das pessoas, os benefícios que são muito locais, como a redução de temperatura, chegam a quem precisa”, explica.

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