O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica esforços para ampliar o diálogo com outros países e evitar o isolamento do Brasil no cenário internacional. Nos últimos meses, Lula conversou por telefone com líderes como Xi Jinping, da China, e Vladimir Putin, da Rússia, e novos contatos devem ocorrer nas próximas semanas, segundo interlocutores do Palácio do Planalto.
Em meio à crise com os Estados Unidos, agravada pelo aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e pela revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, Lula sinalizou interesse em conversar com o presidente Donald Trump. O episódio do visto foi apresentado pelos americanos como resposta à demora do Brasil em conceder o agrément ao indicado de Trump para a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Perez.
As tensões também marcam a relação com a Argentina. Após declarações de Javier Milei contra Lula, o Brasil rebaixou o nível das relações diplomáticas, mantendo o embaixador em Brasília e deixando a representação em Buenos Aires sob um encarregado de negócios. Milei, por sua vez, criticou a política externa brasileira e acusou o país de isolamento.
Especialistas apontam que esses conflitos internacionais contribuem para a polarização da política doméstica, especialmente com a proximidade das eleições. Apoios de Trump e Milei ao candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) são explorados no debate político. A cientista política Carolina Pavese destaca que, apesar das diferenças ideológicas, os canais de diálogo eram mais abertos nos mandatos anteriores de Lula.
Integrantes do Planalto e do Itamaraty afirmam que a política externa busca manter canais de diálogo e ampliar o protagonismo do Brasil em temas globais. Em setembro, Lula deve participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde tradicionalmente é o primeiro a discursar, abordando mudanças climáticas e defesa do multilateralismo.