sábado, 22 de agosto de 2026
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Tabaco aquecido pode agravar esclerose múltipla, aponta estudo da USP

Tabaco aquecido pode agravar esclerose múltipla, aponta estudo da USP
Tabaco aquecido pode agravar esclerose múltipla, aponta estudo da USP
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Uma pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP revelou que a exposição à nicotina, tanto de cigarros convencionais quanto de dispositivos de tabaco aquecido, pode reprogramar células do sistema imunológico e agravar doenças autoimunes como a esclerose múltipla. O estudo, realizado em animais e células humanas, mostrou que ambos os produtos intensificam sintomas e neurodegeneração, contrariando a ideia de que o tabaco aquecido seria menos nocivo.

Os pesquisadores compararam os efeitos do cigarro tradicional e do tabaco aquecido em modelos experimentais de esclerose múltipla. Em ambos os casos, a exposição à nicotina piorou o quadro clínico e a degeneração neural. Segundo o biomédico Pablo Scharf, autor da tese, “tanto a exposição ao tabaco aquecido quanto ao cigarro levam a fenômenos muito similares, é como se os dois produtos levassem ao mesmo desfecho”.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, levando o organismo a atacar a bainha de mielina, essencial para a transmissão de impulsos nervosos. A condição pode causar problemas sensoriais, locomotores e perda de mobilidade. Scharf alerta que os principais usuários dos novos dispositivos são jovens, e “para quem tem predisposição genética, essas exposições prévias podem se tornar um gatilho e favorecer o surgimento ou até a progressão da doença”.

O estudo também utilizou o verme C. elegans como modelo alternativo, revelando que a nicotina altera a resposta imunológica do organismo: enquanto melhorou a defesa contra a bactéria Staphylococcus aureus, comprometeu a proteção contra Pseudomonas aeruginosa, que pode causar infecções pulmonares. Em células de pacientes com esclerose múltipla, a exposição aos produtos de tabaco modificou a biologia dos linfócitos TCD4+, células-chave na evolução da doença.

Os resultados reforçam a necessidade de cautela com os chamados “produtos sem fumaça”, frequentemente comercializados como alternativa menos prejudicial. A pesquisa, orientada pela professora Sandra Farsky, destaca que a redução de compostos tóxicos no tabaco aquecido não elimina os danos ao sistema imunológico. “A exposição ao tabaco aquecido causa uma imunotoxicidade precoce; ele tem um efeito prejudicial sistêmico”, explica Scharf.

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