Nos últimos cinco anos, a história do Talibã no Afeganistão é marcada por um contexto de guerras e intervenções que remontam a décadas. Entre 1979 e 1989, o país enfrentou a ocupação soviética e a resistência dos mujahidin, grupos que lutaram contra as forças soviéticas com apoio internacional, especialmente dos EUA, Paquistão e Arábia Saudita.
Após a retirada soviética, o Afeganistão mergulhou em uma guerra civil, dando origem ao Talibã na década de 1990, que se apresentou como uma força restauradora. Em 1996, o grupo tomou Cabul e estabeleceu o primeiro Emirado Islâmico do Afeganistão. A situação mudou drasticamente após os atentados de 11 de setembro de 2001, quando os EUA invadiram o país, resultando na queda do governo Talibã.
Entre 2001 e 2021, o Afeganistão passou por duas décadas de intervenção militar e construção de um Estado dependente de recursos externos. O Acordo de Doha, em 2020, preparou o caminho para a retirada das tropas americanas, levando ao colapso do governo afegão em 2021 e à nova entrada do Talibã em Cabul.
Atualmente, o Talibã não é apenas um movimento insurgente, mas um governo que administra diversos aspectos do país, embora seu reconhecimento internacional seja limitado. A ONU o considera uma autoridade de facto. Apesar da redução das mortes civis relacionadas ao conflito armado, o controle político e social do Talibã se intensificou, afetando principalmente as mulheres, que enfrentam restrições severas em educação e trabalho.
As políticas do Talibã em relação às mulheres refletem uma interpretação específica do Islã, que não deve ser confundida com a tradição islâmica em sua totalidade. Ao longo da história, mulheres desempenharam papéis significativos na produção de conhecimento religioso. A situação atual exige que suas vozes sejam ouvidas e que suas formas de resistência sejam reconhecidas.
A economia do Afeganistão, já fragilizada, enfrenta ainda mais desafios com a retirada da ajuda internacional, resultando em pobreza e insegurança alimentar. Embora haja indícios de recuperação econômica, a dependência da ajuda humanitária continua a ser um problema crítico.
