O professor Guilherme Wisnik discute a obra ‘O Longo Século XX’, de Giovanni Arrighi, que aborda a dinâmica histórica do capitalismo e os ciclos de hegemonia. Publicado em 1994, o livro identifica os ciclos genovês, holandês, inglês e norte-americano, que se caracterizam por uma fase de expansão produtiva seguida pela predominância do capital financeiro, indicando uma crise e a possível substituição da potência hegemônica.
Wisnik destaca que a atual crise dos Estados Unidos torna a análise de Arrighi ainda mais pertinente. Ele observa que a ascensão de Donald Trump e da extrema-direita pode ser vista como um reflexo dessa crise, com o nacionalismo e o protecionismo defendidos por Trump buscando recuperar um modelo industrial associado a períodos anteriores da história americana.
O professor ressalta que a análise original de Arrighi não previu a ascensão da China como um novo centro de poder, um ponto que o autor revisitou em sua obra ‘Adam Smith em Pequim’.
Wisnik afirma que o cenário atual é marcado pela tentativa de manutenção de uma hegemonia em declínio, sem clareza sobre qual será o próximo centro de poder. Ao revisitar Arrighi mais de três décadas após a publicação de ‘O Longo Século XX’, o professor considera que a crise da hegemonia norte-americana continua sendo uma questão em aberto, essencial para entender as transformações do capitalismo contemporâneo.
A coluna ‘Espaço em Obra’, com Guilherme Wisnik, vai ao ar quinzenalmente às quintas-feiras, às 8h, na Rádio USP.
