Um artigo recente destaca a experiência da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP com o Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE), aplicado há 30 anos, em meio a discussões sobre a avaliação da proficiência em medicina no Brasil.
A criação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e a Medida Provisória nº 1.370/2026, que tornou o exame um requisito para o registro profissional, intensificaram o debate sobre como certificar a capacidade dos novos médicos para atender pacientes.
Os pesquisadores Luiz Ernesto de Almeida Troncon, Marcos Carvalho Borges e Valdes Bollela defendem que a avaliação da competência médica deve ir além de provas escritas. Em seu artigo, eles ressaltam que a prática clínica deve ser considerada, resgatando a importância do OSCE, que simula situações reais da profissão e avalia habilidades práticas.
O OSCE, implantado na FMRP em 1995, permite que estudantes enfrentem desafios em pequenos consultórios ou cenários simulados, onde são observados por avaliadores treinados. Essa abordagem busca não apenas testar o conhecimento, mas também a capacidade de comunicação e a tomada de decisões em situações clínicas.
Bollela enfatiza que a avaliação deve indicar quais competências precisam ser desenvolvidas, promovendo oportunidades de aprendizado contínuo. Ele sugere que um sistema de avaliação abrangente, que combine provas teóricas e práticas, pode ser mais eficaz do que um exame isolado.
Com cerca de 448 escolas médicas no Brasil, o desafio de organizar um exame prático nacional para todos os formandos é significativo. Modelos internacionais, como o do Reino Unido, que combinam avaliações nacionais e práticas nas escolas, podem inspirar melhorias na formação médica brasileira.