Pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP investigaram o uso da fita elástica adesiva como complemento ao tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Os resultados indicam que a técnica pode reduzir a falta de ar e a fadiga em repouso, além de alterar a mecânica respiratória.
A DPOC, causada principalmente pelo tabagismo e exposição a poluentes, é a quarta principal causa de morte no mundo. A doença limita o fluxo de ar e reduz a qualidade de vida. O estudo, publicado na dissertação de mestrado de Estéfane Caroline Monteiro Reis, avaliou os efeitos agudos da aplicação das fitas sobre a mobilidade do diafragma e a mecânica toracoabdominal.
Na pesquisa, 48 homens não obesos com DPOC moderada a muito grave foram divididos aleatoriamente para realizar exames com e sem a fita. Os testes incluíram ultrassom e pletismografia optoeletrônica, que mede tridimensionalmente o tórax. Os resultados mostraram redução pontual da falta de ar e da fadiga em repouso, além de alterações na distribuição dos volumes entre tórax e abdome.
“A aplicação das fitas promoveu alterações na mecânica toracoabdominal e no padrão ventilatório”, explica a orientadora Juliana de Melo Batista dos Santos. A redução da mobilidade diafragmática após esforço, observada no estudo, não deve ser interpretada como piora, mas como uma possível mudança na estratégia ventilatória.
Este é o terceiro estudo do grupo sobre o tema. Os anteriores já haviam mostrado benefícios na redução da falta de ar e melhora na qualidade de vida. A técnica consiste em aplicar fitas elásticas sobre músculos do abdome e tórax para otimizar a respiração. Novas pesquisas são necessárias para entender os mecanismos e identificar quais pacientes se beneficiam mais.