O uso intenso de redes sociais por crianças e adolescentes está associado a um pior desempenho escolar, segundo pesquisas recentes. Um estudo realizado no norte da Itália constatou impacto negativo na performance acadêmica, enquanto dados do TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 71% dos jovens entre 9 e 17 anos usam essas plataformas.
Para Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação (FE) da USP, o problema vai além da cognição: “A sociabilização é um elemento central para o processo de cognição”. Ele alerta que as redes dificultam a criação de laços profundos e “o que é mais grave é a perda de qualidade das relações sociais”.
Os aplicativos são projetados para reter usuários, e isso pode se tornar um vício. Em agosto, a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, foi processada por danos a crianças nos EUA, com acordo financeiro estimado entre US$ 16 e 18 bilhões. Esse design viciante cria a ilusão de que “a vida está totalmente vinculada às redes sociais, o que diminui as interações [na vida real]”, explica o especialista.
A pesquisa italiana também revela que quanto mais cedo o uso começa, piores são os efeitos. Na primeira infância, “certamente o prejuízo é mais danoso e há pouca pesquisa nesse sentido”, alerta Cara.
Para reduzir os danos, o professor sugere diálogo e regras claras: “A criança busca cotidiano, estrutura e regra”. Definir limites de quando, onde e como usar as telas, com a participação dos filhos, pode ajudar.
No Brasil, desde janeiro de 2025, o uso de celulares nas escolas está proibido. Na Austrália, menores de 16 anos não podem criar contas em redes sociais, e o Reino Unido planeja medida semelhante a partir de 2027.