Recentes descobertas sobre neutrinos, partículas que atravessam o universo sem serem desviadas, estão revolucionando a astronomia. O detector IceCube, localizado no Polo Sul, abriu uma nova janela para a observação do cosmos, permitindo responder à pergunta: de onde vêm esses neutrinos?
Francis Halzen, físico teórico belga e principal investigador do IceCube, propôs a utilização do gelo profundo como detector de neutrinos, culminando na conclusão do projeto em 2010. O IceCube é composto por 86 cabos verticais e mais de 5 mil sensores de luz, que registram lampejos azuis gerados quando neutrinos colidem com núcleos no gelo.
A detecção de neutrinos astrofísicos de alta energia pelo IceCube em 2013 marcou o início da astronomia de neutrinos. Desde então, eventos significativos, como a identificação de uma fonte extragaláctica em 2017, têm ampliado nosso entendimento sobre essas partículas. Em 2022, o IceCube também detectou um excesso de neutrinos de uma galáxia Seyfert próxima, NGC 1068.
Apesar dos avanços, a origem da maioria dos neutrinos detectados ainda é um mistério. Pesquisadores do IAG-USP investigam diferentes fontes, incluindo buracos negros e aglomerados de galáxias, para entender quais objetos podem acelerar prótons a energias extremas e gerar neutrinos.
