Uma funcionária de um instituto de pesquisa sobre a peste faleceu na cidade siberiana de Irkutsk, na Rússia, com a causa da morte oficialmente atribuída a pneumonia. No entanto, as circunstâncias levantaram suspeitas de peste pneumônica, hipótese que foi negada pelas autoridades russas.
O caso gerou preocupação entre organizações de saúde em diversos países devido à “falta de informações claras, dificultando uma avaliação de risco mais precisa”, conforme explica Eliseu Alves Waldman, professor sênior de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
Embora o especialista considere o episódio de baixo risco, ele ressalta a importância de que os sistemas de saúde nacionais orientem os profissionais e aumentem a vigilância em relação a pessoas que estiveram na região.
A peste pneumônica é a forma mais grave da doença causada pela bactéria Yersinia pestis, podendo provocar três formas clínicas: bubônica, septicêmica e pneumônica. Esta última apresenta alta letalidade se não tratada rapidamente.
A transmissão ocorre entre humanos por gotículas respiratórias de infectados e também pode ser resultado da manipulação da bactéria em laboratório. A infecção é comumente associada à picada de pulgas infectadas, que podem levar à peste bubônica, podendo evoluir para a forma pneumônica.
No Brasil, a peste foi introduzida no final do século 19 e, embora tenha provocado epidemias, as medidas de controle reduziram sua ocorrência. O último caso humano registrado no país foi em 2005.
Waldman destaca que a doença ainda representa risco em regiões com populações de roedores silvestres, enfatizando a necessidade de vigilância nas áreas onde a bactéria circula.